Think free as in free speech, not free beer.

In software development, where the cost of mass production is relatively small, it is common for developers to make software available at no cost. One of the early and basic forms of this model is called freeware. With freeware, software is licensed free of charge for regular use: the developer does not gain any monetary compensation.

With the advent of the free software movement, license schemes were created to give developers more freedom in terms of code sharing, commonly called open source or FOSS. As the English adjective "free" does not distinguish between "for zero price" and "liberty", the phrases "free as in beer" (gratis, freeware) and "free as in speech" (libre, open source) were adopted.

These phrases have become common, along with gratis and libre, in the software development and computer law fields for encapsulating this distinction.

Margem Sul


Estou aqui em Almada, ou aqui no fogueteiro
O seixal é mesmo ali, sou polícia sinaleiro
Para ali é o Barreiro, Montijo e Alcohete
Onde fica o Freeport que deu uma bronca do cacete
Props pró pessoal, que vive nesta margem
Que gasta 1,30E quando passa na portagem
Sempre que passo aqui, tremo tipo gelatina
A primeira vez que fui, assaltado nesta esquina
A Segunda nesta rua, e a terceira foi aqui
A quarta foi agora, enquanto estou neste jardim!
Mando pausa, no Otávia da minha mãe 


Ouço ganda maluco, eu respondo tá-se bem!
Sou poliglota, nas línguas eu sou forte
Falo português com sotaque dos PALOP
Falo em brasileiro, da costa Caparica
E criolo em quanto como uma cachupa rica

Margem Sul, sitio a onde são feitos os sonhos
Porque só se dorme, aqui!

Estar na Margem sul, vêm andar na selva de
asfalto e sofrer um assalto.

Bem-vindo à margem sul, sul, sul, sul....


Sei dançar kizomba, aprendi com a vizinha
O irmão não gostou, quase me partiu a espinha
Quando chego da discoteca, às sete de la mañana
Vejo as paragens cheias de gente em fila indiana

Margem Sul é grafitis em paredes e muros
Entrar numa loja, ouvir hip-hop e kuduros
É ver policias e ladrões jogarem à apanhada
É às vezes ter que ir fazer queixa na esquadra

Foi aqui que me deram um enxerto de porrada
Confundiram-me com um nigga que saiu de precária
Aqui jogava à bola, de dia e ao relento
Agora a praceta é parque de estacionamento

A primeira vez que fui ao cinema foi aqui
Vi o Neverending Story e o Karaté Kid
(Wax on... Wax off... Wax on... Wax off)

Margem Sul
Sitio onde são feitos os sonhos
Porque só se dorme aqui
Estás na Margem Sul
Vem andar na selva de asfalto
E sofrer um assalto
Bem-vindo à Margem Sul, Sul, Sul, Sul...

Aqui é só saúde, temos só dois hospitais
E poder de compra, novos centros comerciais
Para comprar uns DVDs ou aquela bike
Bens de primeira necessidade como um chapéu da Nike

Olha ali um casamento, é só roupa cara
Homens com fato da H&M, as damas vestem Zara

Margem Sul é cultura, não sei se sabes
É Rute Marlene, os Anjos, Soraia Chaves

Na relva faço picnics e também o pino
Isto não é deserto, f-f-fuck Mário Lino
Temos muito verde, mas aqui é só vermelhos
A festa do Avante é aqui todos os anos

Por falar em cores, também há amarelos
É a loja dos chineses onde eu comprava caramelos

- "Nihao"
- "Agora há a loja do chinês?"
- "Sim"
- "Eu queria caramelos por favor"
- "Não tem"
- "Quê?"
- "Não tem!"

Margem Sul
Sitio onde são feitos os sonhos
Porque só se dorme aqui
Estás na Margem Sul
Vem andar na selva de asfalto
E sofrer um assalto
Bem-vindo à Margem Sul, Sul, Sul, Sul...


Se precisas de apoio emocional, cruza a ponte e vai ao Cristo no Pragal
Construído no tempo de Salazar, tem os braços bem abertos para gritar
Yeah, yeah! Yeah, yeah!

Margem Sul
Sitio onde são feitos os sonhos
Porque só se dorme aqui
Estás na Margem Sul
Vem andar na selva de asfalto
E sofrer um assalto
Bem-vindo à Margem Sul, Sul, Sul, Sul

Pesadelos de Peluche

Apesar de ter sido um ano de grande actividade musical, 1989 acabaria por ficar para a história dos Mão Morta – e do rock em Portugal – como aquele em que Adolfo Luxúria Canibal infligiu a si próprio vários golpes numa perna. Sem concertos em Lisboa desde a primeira parte de Nick Cave & The Bad Seeds, em finais do ano anterior, os Mão Morta descem em Junho à capital para, em ambiente de grande expectativa e de acontecimento único a não perder, num Rock Rendez-Vous completamente lotado, se apresentarem como cabeça de cartaz. Não era a primeira vez que Adolfo Luxúria Canibal se mostrava com facas, mas ninguém esperava que durante a interpretação de Bófia, aos gritos de “sede de sangue!”, começasse a retalhar a coxa com vários golpes enquanto o sangue lhe corria pela perna, a ponto de provocar vários desmaios na assistência e de necessitar de um garrote para o tentar estancar, tendo no final da actuação ido de urgência para o hospital. Meses depois, em entrevista à televisão, justificava-se dizendo que o Rock Rendez-Vous estava demasiado cheio, com um ambiente muito pesado, “de cortar à faca”, e antes que pudesse acontecer alguma desgraça decidiu mostrar sangue, “porque o sangue acalma os ânimos”, mas com o calor da prestação não se tinha dado conta da gravidade das lesões…